As estratégias de destruição do espaço público

Qual é a estratégia de comunicação para levar a sociedade a uma polarização destrutiva? Como se destrói o ambiente democrático e o debate plural? Promovendo uma cultura de intolerância frente a quem pensa diferente e transformando as identidades ideológicas em sistemas completamente fechados ao argumento. As principais estratégias das fake news como projeto político são: 

 

  1. Demonizar todos aqueles que não são parte do grupo político, que são considerados “inimigos”, seja do povo, da religião, da família ou da pátria.  Eles são alvo de ataques constantes, relacionando-os aos mais diversos vícios, crimes, defeitos de caráter e conspirações, muitas vezes a partir de informação descontextualizada sobre suas vidas, ou associando-os a pessoas de reputação duvidosa, tendo como objetivo destruir o respeito por essas pessoas e, por extensão, as instituições a que pertencem.
     

  2. Promover teorias conspiratórias.   As teorias conspiratórias são sempre uma versão paranóica e diabólica do mundo. O conspirador é alguém que está “por trás de”, uma minoria (ou indivíduo) poderosa que se opõe aos interesses da pátria, da família, da ordem, do povo, da nação, da classe, às quais todos os opositores estão, direta ou indiretamente, associados.  O papel das teorias conspiratórias é, sobretudo, o de procurar responsáveis externos pelos eventuais problemas que sofre o país e, assim, desviar a atenção das dificuldades do conjunto da sociedade e, em particular, dos erros de seus líderes.  A “culpa” sempre é de outros.  
     

  3. Homogeneizar e empacotar todos os que discordam como pertencentes ao mesmo grupo, quando obviamente existem diferenças enormes entre eles. A homogeneização é feita rotulando todos os que discordam como sendo versões da mesma tribo (“comunistas”, “fascistas”, “feministas”), que por sua vez é caricaturada. A homogeneização do “inimigo”, por sua vez, ajuda a criar um sentimento de unidade e comunidade entre os que a ele se opõem.   O “inimigo comum” permite canalizar os mais diversos ressentimentos, preconceitos e frustrações de grupos muito variados.  Projetando no “inimigo” a responsabilidade pelos mais diversos mal-estares sociais, se simplificam  problemas que exigem reconhecer a complexidade dos desafios que a sociedade deve confrontar. Tudo se resume a culpar o “outro” e acreditar cegamente no líder. 
     

  4. Mobilizar o medo frente à possíveis transformações sociais, criando um sentimento de caos, idealizando o passado (quando na verdade, apesar dos desafios, vivemos hoje com qualidade de vida superior, menos opressão de uma variedade de grupos, e mais consciência dos direitos de cada cidadão do que no passado). 
     

  5. As tendências autoritárias procuram construir um “novo normal” testando os limites do sistema jurídico e moral.  No novo normal é permitido ofender, mentir, difamar sistematicamente.  Se trata de destruir as normas de civilidade e respeito, transformando em aceitável a agressão constante como forma de ação política. As fakes news, mas também as declarações dos líderes políticos autoritários, procuram alargar constantemente os limites do que é civicamente aceitável no debate público. Quando por vezes se força demais e há uma reação pública, é comum que façam um recuo tático, explicando que se tratava de uma piada, que o conteúdo foi retirado do contexto, ou que foi uma fala mal compreendida.   
     

  6. Deslocar o foco. A técnica, retirada da retórica, é usada quando o líder erra ou enfrenta um problema, erro ou escândalo, e procura mudar o foco do debate, seja “noticiando” alguma mensagem sensacionalista ou explicando os acontecimentos por uma conspiração. 

Os Reflexicons propõem uma estratégia de comunicação através de mensagens que mobilizem a reflexão autônoma e o diálogo com os interlocutores, de forma a não permitir que as fakenews intoxiquem o debate público e as relações pessoais.

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